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terça-feira, 15 de outubro de 2019

The Booker Prize de 2019 foi atribuído a duas escritoras

The Testaments, a sequela d' A História de Uma Serva, de Margaret Atwood, e Girl, Women, Other, de Bernardine Evaristo, foram os livros vencedores do Booker Prize de 2019.

Pela primeira vez, em 30 anos, dois escritores partilham o pódio do Booker Prize. Este feito já acontecera em 1974 (Nadine Gordimer e Stanley Middleton) e em 1992 (Michael Ondaatje e Barry Unsworth). Em 1993, implementaram a regra que consistia na atribuição do prémio a apenas uma pessoa, não podendo ser dividido ou retido.

Apesar disso, este ano, os jurados decidiram não seguir as regras. O presidente do júri, Peter Florence, disse: "Tentámos votar, [mas] isso não funcionou. É uma metáfora dos nossos tempos". A discussão dos jurados durou mais de 5 horas. Embora a diretora do prémio literário, Gaby Wood, tenha dito repetidamente que o prémio não poderia ser dividido, o júri não conseguiu chegar a um consenso. Florence acrescentou que o júri não queria abrir mão de nenhum dois livros e, por isso, decidiram quebrar a regra criada depois de 1992. O presidente vê esta decisão como uma "forma de mudar o jogo". Ainda assim, Gaby Wood já confirmou que não irão mudar as regras e que a permissão da decisão dos jurados foi uma opção generosa por parte dos responsáveis pelo prémio.


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As capas dos livros vencedores do Booker Prize de 2019.
Fonte da imagem.

A escritora canadiana Margaret Atwood, de 79 anos, é a vencedora mais velha desde a criação do prémio. Na cerimónia, a autora expressou a sua felicidade por poder partilhar este prémio com mais uma escritora. Para ela, seria uma vergonha, como pessoa mais velha, tirar esta oportunidade a alguém que poderia ainda estar a dar os primeiros passos da sua carreira. Aproveita para elogiar Bernardine Evaristo, dizendo que a autora britânica mostra que outras escritoras negras podem ver que é possível ganhar este prémio.

A decisão do júri não foi bem recebida por todos. Muitos acham que o novo livro de Atwood é mais fraco do que o livro de Evaristo e que a escritora britânica deveria ter sido a única vencedora. Foram mais longe e indicaram como não deixaram uma mulher negra receber um prémio a solo e que o estatuto de Atwood poderia "abafar" o sucesso de Evaristo.

Evaristo, no entanto, não pensa assim. Está muito contente por ter recebido o prémio e de poder partilhá-lo com alguém como Atwood. A escritora de 60 anos não pensa no ato da partilha, mas sim na sua presença na longa lista dos vencedores deste galardão. Também acha que, desta forma, o seu livro receberá mais atenção e chegará a outras partes do mundo.

Ambas as escritoras realçaram o facto de Evaristo ter sido a primeira mulher negra a receber o prémio e como isso é um marco importante que servirá como inspiração para outras escritoras negras. Evaristo, numa entrevista a uma rádio britânica, afirma que "há muitos prémios que pessoas de certas comunidades não ganham. Certamente, pessoas negras não ganham muitos prémios literários. Parece que ninguém repara nisso, mas é verdade".

De facto, no caso do Booker Prize, apenas 4 mulheres negras já fizeram parte das listas de finalistas. Assim, Evaristo espera que a sua vitória marque uma mudança interna do Booker Prize. Relembrou que, este ano, o jurado era composto por quatro mulheres e um homem.



Margaret Atwood (left) and Bernardine Evaristo
Esta fotografia, provavelmente, marca o momento em que as vencedoras dirigiram-se para o palco juntas.
Fonte da imagem.


Segundo os jurados, The Testaments vai além da história única contada no primeiro livro, a história de Offred, uma vez que a sequela narra as perspetivas de Tia Lydia e de duas adolescentes. "É lindo na sua profundidade e exploração do mundo de Gilead". Destacam que, anteriormente, A História de Uma Serva era visto apenas como uma história de ficção científica, mas, tendo em conta o panorama atual, estes livros são mais politicamente urgentes do que antes. Publicado em setembro, The Testaments vendeu mais de 100.000 exemplares no Reino Unido na primeira semana de vendas, sendo o livro de capa dura mais vendido nos últimos quatro anos.

Quanto ao romance Girl, Woman, Other, que explora as vidas de 12 pessoas, principalmente de mulheres britânicas negras, Peter Florence disse que há "algo totalmente mágico" quanto às personagens e que "há histórias de pessoas que não têm sido visivelmente representadas na literatura contemporânea e, assim, o livro é inovador". Espera-se que a indústria editorial sinta-se inspirada e encorajada a publicar livros mais diversificados depois desta vitória.

O prémio monetário será, portanto, de 25.000 libras para cada autora e Margaret Atwood já indicou que o seu montante será doado à Indspire, uma associação de caridade nativa-canadiana, para que seja criada uma bolsa de estudos para estudantes indígenas do Canadá.

Evaristo também apoia muitas causas. Na realidade, co-criou, em 1982, o Theatre of Black Women. Também criou Spread the Word, uma agência de desenvolvimento para escritores, o Complete Works, um esquema de mentores para poetas não brancos, e o Brunel International African Poetry Prize. Em 2009, tornou-se membro da Ordem do Império Britânico pelos seus serviços à literatura.


As duas vencedoras momentos antes da conferência de imprensa.
Fonte da imagem.


A Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada tem, para empréstimo, os seguintes livros:
  • ATWOOD, Margaret- A impostora. Lisboa: Edições Livros do Brasil. 1995. 443 p.
    EMP 82(71)-31 ATW/imp;

  • ATWOOD, Margaret- O assassino cego. Lisboa: Ed. Livros do Brasil. 2001. 645 p.
    EMP 82(71)-31 ATW/ass (número de cópia: E05950);

  • ATWOOD, Margaret- O assassino cego. Lisboa: Livros do Brasil. 2001. 645 p.
    EMP 82(71)-31 ATW/ass (número de cópia: PDE41939);

  • ATWOOD, Margaret- The Handmaid's Tale. Boston: Houghton Mifflin Company. 1986. 311p.
    NC 5805 RES;

  • ATWOOD, Margaret- A odisseia de Penélope. Lisboa: Editorial Teorema. 2006. 202 p.
    EMP 82(71)-34 ATW/odi.


Fontes:


Flood, Alison. Margaret Atwood and Bernardine Evaristo share Booker Prize 2019. Acedido a 15 de outubro de 2019, em:  https://www.theguardian.com/books/2019/oct/14/booker-prize-judges-break-the-rules-and-insist-on-joint-winners;

Jordan, Justine, Book judges try to have it both ways. Acedido a 15 de outubro de 2019, em: https://www.theguardian.com/books/2019/oct/14/booker-judges-split-between-huge-event-novel-and-obscure-choice;

Margaret Atwood and Bernardine Evaristo share award. Disponível em: https://www.bbc.com/news/entertainment-arts-50014906. Acedido a 15 de outubro de 2019.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

The Booker Prize: O que é?

Anteriormente conhecido como Man Booker Prize, o Book Prizer consiste em dois tipos de prémios literários: o Booker Prize Internacional, que é atribuído a um escritor cuja língua materna não é o inglês e ao seu tradutor para a língua inglesa, e o Booker Prize para Ficção, para escritores de língua inglesa cujos livros foram publicados no Reino Unido ou na Irlanda.

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Logótipo do Booker Prize de 2019.
Fonte da imagem.

A alteração do nome deve-se à mudança de empresas que financiam os prémios. Durante 18 anos, o Man Group patrocinou, com sucesso e de forma generosa, os dois galardões. No dia 1 de junho de 2019, Crankstart, a fundação de caridade de Sir Michael Moritz e da sua mulher, Harriet Heyma, deu início ao seu apoio à fundação The Booker Prize.

A escolha dos vencedores do Booker Prize para Ficção é feita por um painel de 5 jurados (que são sempre diferentes todos os anos), que podem ser críticos literários, escritores, professores universitários, políticos ou atores. Esse painel é apontado pela própria Fundação e é escolhido conforme os conselhos do comité consultivo da Fundação The Booker Prize . Os jurados devem ler as obras submetidas e, a partir daí, devem formar uma lista de doze ou treze livros, que depois diminuirá para seis livros. A partir desses seis, escolhem o vencedor, cujo livro é visto como o melhor na categoria de obras longas de ficção. Para ser elegível, o livro deve ter sido publicado entre o dia 1 de outubro do ano anterior e o dia 30 de setembro do ano da entrega do prémio e as obras devem ser submetidas entre dezembro e março. 


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Os jurados de 2019.
Fonte da imagem.


Em termos monetários, o vencedor recebe 50.000£ (quase 56.900€) e, tal como os finalistas, recebe, ainda, um cheque de 2.500£ (quase 2.850€) e um exemplar encadernado do seu livro. O prémio garante, também, sucesso internacional.

O Booker Prize Internacional de 2019 foi atribuído a Jokha Alharthi, pelo seu romance Celestial Bodies, no dia 21 de maio. Foi traduzido por Marilyn Booth e narra a a história de três irmãs que vivem na aldeia omanense de al-Awafi. Uma delas, Mayya, casa-se com um pretendente rico depois de um desgosto de amor. Uma outra irmã, Asma, casa-se por dever. Já Khawla espera por um homem que emigrou para o Canadá. O prémio foi, pela primeira vez, dado a um livro escrito em árabe. No caso deste galardão, o prémio de 50.000£ é dividido entre o escritor e o tradutor.

Milkman, de Anna Burns, foi o romance que ganhou o Man Booker Prize para Ficção de 2018. Pela primeira vez, um escritor da Irlanda do Norte recebeu este prémio. O livro foi recentemente publicado pela Porto Editora e conta uma história que se passa durante os conflitos entre as duas Irlandas, focando-se na perspetiva de uma jovem de 18 anos que é perseguida por um milkman (leiteiro), um homem mais velho que faz parte de uma operação paramilitar. Retrata temas como o assédio sexual e a brutalidade.


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A vencedora de 2018 na cerimónia da entrega do prémio.
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O vencedor do Booker Prize para Ficção de 2019 será anunciado hoje, dia 14 de outubro, entre as 20h30m e 21h30m (fuso horário açoriano). Os finalistas são Margaret Atwood (The Testaments), Salman Rushdie (Quichotte), Lucy Ellman (Ducks, Newburyport), Bernardine Evaristo (Girl, Woman, Other), Chigozie Obioma (An Orchestra of Minorities) e Elif Shafak (10 Minutes 38 Seconds in This Strange World). Esta edição marca os 50 anos de existência do Booker Prize.




Fontes:


FAQs. Disponível em: <https://thebookerprizes.com/faq>. Acedido a 14 de outubro de 2019;

Entering the Awards. Disponível em: <http://manbooker.15.dev.fourplc.com/submissions>. Acedido a 14 de outubro de 2019;

The Booker Prize. Disponível em: <https://thebookerprizes.com/fiction>. Acedido a 14 de outubro de 2019;

Cipriano, Rita. Sequela de Handmaid's Tale, de Margaret Atwood, finalista do Man Booker Prize. 2019. Acedido a 14 de outubro de 2019, em: https://observador.pt/2019/09/04/sequela-de-handmaids-tale-de-margaret-atwood-finalista-do-man-booker-prize/;

Cipriano, Rita. Jokha Alharthi, do Sultanato de Omã, vence Man Booker Prize International. 2019. Acedido a 14 de outubro de 2019, em: https://observador.pt/2019/05/21/jokha-alharthi-do-sultanato-de-oma-vence-man-booker-prize-international/;

Cipriano, Rita. Anna Burns é a primeira escritora da Irlanda do Norte a vencer o Man Booker Prize. 2018. Acedido a 14 de outubro de 2019, em: https://observador.pt/2018/10/16/anna-burns-vence-man-booker-prize-2018/.