Mostrar mensagens com a etiqueta Tradição oral açoriana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tradição oral açoriana. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Joanne Purcell: Registos Fonográficos da Tradição Oral Açoriana

Joanne Burlingame Purcell, professora universitária e investigadora norte-americana, nasceu em 1938 e faleceu em 1984, com 46 anos. Desempenhou um grande papel no estudo e na divulgação da tradição oral portuguesa, principalmente quanto aos Açores e à Madeira. Estudou na Universidade da Califórnia, onde tirou o curso de Filologia Românica e Ibérica e concluiu a tese de licenciatura (Traditional Ballads from California).

Graças a uma bolsa de estudo da Comissão Fullbright luso-americana, Purcell esteve nos Açores em 1969 e 1970 para recolher romances, contos, orações e provérbios do arquipélago. Esse estudo acabou por ser publicado na revista Atlântida, com o título "A Riqueza do Romanceiro e Outras Tradições Orais das Ilhas dos Açores". Este texto foi mencionado esta semana como um dos aconselhados para os interessados na tradição oral açoriana. Para (re)ler a publicação, clique aqui.

Hoje, o evento que será realizado na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada é a celebração dos 50 anos da estadia passageira de Purcell nos Açores. Pelas 18h, será apresentada a Base de Dados Online, onde poderão ver e ouvir o que Purcell recolheu durante 11 meses nos Açores. Pelas 18h30, Ângela de Almeida irá falar sobre a investigadora e o romanceiro.


Será, portanto, uma celebração da vida e da obra de uma grande investigadora, valorizando, também, o grande património oral dos Açores.

Para consultar o espólio de Joanne B. Purcell, clique aqui.



Cartaz do evento.


Fontes:

ALMEIDA, Ângela de. Vida e Obra. Disponível em: http://www.culturacores.azores.gov.pt/joanne-purcell/vida-e-obra.aspx. Acedido a 29 de novembro de 2019.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Estudos sobre Património Oral (coordenação de Gabriela Funk)

O livro Estudos sobre Património Oral, coordenado pela professora Gabriela Funk, é o resulto do 4.º Encontro de Cultura Popular, realizado nos dias 18 e 19 de maio de 2006, no Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada. Organizado pela Câmara Municipal de Ponta Delgada e pela Universidade dos Açores, este evento tinha como objetivos desenvolver e divulgar "o trabalho interdisciplinar sobre Cultura Popular". Contou com a colaboração de outras universidades portuguesas (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Universidade de Lisboa) e de universidades estrangeiras (França, EUA, Canadá e Angola).

Os textos reunidos neste volume abordam temas relacionados com o Património Oral, como a Literatura Tradicional (como o Romanceiro e o Cancioneiro), a Antropologia Cultural, a Religião e Crenças Populares, entre outros. Pretendem dar continuidade aos estudos realizados por grandes nomes açorianos, como Teófilo Braga e José de Almeida Pavão.

O então Vice-Reitor da Universidade dos Açores, José Luís Brandão da Luz, no seu discurso, indicou que a cultura popular como objeto de estudo é "indispensável para conhecer melhor a nossa identidade e desenvolver uma estratégia consistente da sua afirmação". 



Fotografia e edição de Daniela Sampaio.



Rui Faria, na sua intervenção, acredita que a Literatura Popular, embora ainda não tenha alcançado "o seu devido estatuto no âmbito da instituição literária", contribuiu imenso para "traçar o perfil literário e cultural de um povo". Pensa que "a Literatura e a Cultura Popular têm sido entendidas como marginais quando comparadas com uma Literatura Consagrada e uma Cultura Letrada."

Carmen Ponte Goujon, da Universidade de Poitiers, falou sobre os cânticos e orações tradicionais das Romarias de São Miguel. Começou por afirmar que, antes da escrita, o conhecimento era transmitido através da oralidade. Aliás, antes da invenção da escrita, "a inteligência estava intimamente ligada à memória, daí os mais velhos serem reconhecidos como os mais sábios por deterem um conhecimento acumulado, advindo da experiência". A transmissão do conhecimento pela oralidade ainda está viva, por exemplo, em São Miguel, que tem foliões do Espírito Santo, contos, lendas, romances, etc. Goujon falou principalmente sobre as romarias, onde as orações e os cantos, ainda hoje, são transmitidos, oralmente, de mestre para aprendiz, de pai para filho e, por isso, ainda estão vivos. É possível, assim, "alimentar uma memória ancestral não escrita e que faz parte da cultura popular e religiosa da ilha de São Miguel."


A Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada tem este livro para empréstimo:

  • FUNK, Gabriela (coord.) et al. Estudos sobre património oral. Ponta Delgada: Câmara Municipal. 2007. 405 p.
    EMP AÇORES 39 FUN/estu

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Contos tradicionais açorianos, de Ângela Furtado-Brum

Contos tradicionais açorianos surgiu quando Ângela Furtado-Brum, enquanto reunia lendas, ouviu também as pessoas narrar contos. Ao mesmo tempo que recolhia lendas, também guardava os contos para, no momento certo, divulgá-los. E foi o que aconteceu em 2003.


Na Nota Introdutória, a autora explica o contexto dos contos e a sua importância em termos culturais e sociais. Os contos estavam presentes nos momentos de trabalho e até mesmo quando as pessoas simplesmente se reuniam. Estas pequenas narrativas (que não eram lidas, mas sim contadas) serviam como modelos de comportamentos e avisos dos perigos da vida. Para além de ensinarem, também eram uma boa forma de entretenimento.


Como realça a autora na introdução, os contos, ao contrário do que se pensa atualmente, não têm apenas como público-alvo as crianças. Eram narrados para crianças e adultos. Toda a gente ouvia estas histórias e sentia fascínio por elas. 



Fotografia de Daniela Sampaio.



Ângela Furtado-Brum relembra algumas vezes que, infelizmente, muitos contos caíram no esquecimento e que mudanças como o aparecimento da televisão e da Internet contribuíram para isso, na medida em que as pessoas começaram a encontrar outras formas de entretenimento. Apesar disso, conseguiu juntar algumas histórias. Embora não contribuam para o desenvolvimento económico do arquipélago, os contos são uma amostra da grande riqueza cultural do povo. Não devemos ter interesse apenas nos benefícios económicos. O património, a História e a cultura (neste caso, popular) são também fundamentais e contribuem para a valorização dos Açores. Aliás, os contos "tiveram um papel fulcral na formação intelectual, moral, estética dos ouvintes."


Em relação a outras obras sobre a tradição oral, a autora indica que estas pequenas narrativas podem ser semelhantes às do continente. Continuam a ser diferentes, uma vez que, ao chegarem cá, sofreram mudanças relacionadas com o tempo, a memória e a imaginação. Até há diferenças de ilha para ilha.

Acrescenta que alguns destes textos podem estar presentes em livros como Contos Tradicionais do Povo Português, de Teófilo Braga, e Na Memória das Gentes, de Dias de Melo.


Estas histórias foram recolhidas com a ajuda de pessoas conhecidas da autora, como familiares, amigos mais velhos e vizinhos. Também contou com a colaboração de alunos açorianos, que pediram ajuda aos pais, familiares e vizinhos mais velhos. A recolha começou em 1989 e terminou em 2003.



Esta história sobre a origem das andorinhas é um dos 91 contos presentes em Contos tradicionais açorianos:


Fotografia e edição de Daniela Sampaio.
.



A Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada não tem este livro para empréstimo. Contudo, poderá ser consultado na sala infantojuvenil da biblioteca:

  • BRUM, Ângela Furtado- Contos tradicionais açorianos. Ponta Delgada: João Azevedo. 2003. 194 p.
    JUV AÇORES 398.2 BRU/con

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A riqueza do romanceiro e outras tradições orais nas Ilhas dos Açores, de Joanne B. Purcell

A publicação de hoje é dedicada a um artigo que Joanne B. Purcell publicou na revista Atlântida, em 1970.

Este artigo de quase 30 páginas é sobre uma investigação da norte-americana nas ilhas açorianas. Desde o dia 17 de maio de 1969 até ao dia 19 de abril de 1970, Purcell recolheu diversos elementos da tradição oral do arquipélago. Ao usar o método da gravação, a investigadora, em 145 fitas, recolheu mais de 2.900 textos.

Recolheu essencialmente romances e reparou que o romanceiro encontrava-se mais vivo nas ilhas das Flores, São Jorge, Graciosa, São Miguel e Santa Maria. Para além de romances, também reuniu histórias de «literatura de cordel» e de acontecimentos locais. No entanto, devido a limitações temporais e materiais, sacrificou outros aspetos da tradição oral para se focar no romanceiro.


Primeira página do artigo.
Fotografia e edição de Daniela Sampaio.


Constatou que os mais novos começavam a aprender a ser contistas aos doze ou treze anos, mas os mais velhos eram mais ativos e emotivos. Também notou que os homens eram os que mais narravam os contos. Faziam-no durante os momentos de descanso e de divertimento. As mulheres contavam/cantavam romances e faziam-no enquanto trabalhavam. 

No total, reuniu 460 a 500 textos de contos tradicionais. Relativamente à «literatura de cordel», aos acontecimentos locais e a outras narrativas em verso, tinha mais de 300 textos. Juntou, ainda, muitas orações, bem como ditados, adivinhas, lendas, etc. Sem contar com as gravações, colecionou provérbios, folhetos e cadernos escritos à mão.

Ao longo da pesquisa, notou a "pouca vitalidade do romanceiro na vida do povo". Encontrou a justificação na emigração, na tendência para imitar os estrangeiros, no desaparecimento do sentido de comunidade e nas novas distrações que foram aparecendo, como os filmes, o rádio e a música moderna.

Perante o desprezo que o povo sentia pela sua tradição oral, foram surgindo projetos de "re-popularização" do romanceiro, como discos, livros para os alunos do ensino primário, edições populares, etc.

Também verificou que, ao contrário dos contistas, aqueles que sabiam romances tinham vergonha. Muitos deles eram analfabetos e reencaminhavam Purcell para os mais cultos. Ela concluiu que, na realidade, os que tinham escolaridade praticamente sabiam apenas o que liam nos folhetos, enquanto os analfabetos sabiam romances por ser necessário recorrer à memória do ouvido para contar romances.


O artigo é mais longo e rico do que o que foi apresentado nestes parágrafos simples, que são apenas um petisco. 


Capa da revista que contém o artigo.
Fotografia e edição de Daniela Sampaio.



A Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada não tem o número desta revista para empréstimo. No entanto, pode ser consultada na Sala de Leitura se pedirem ajuda aos funcionários:

  • PURCELL, Joanne B.- A riqueza do romanceiro e outras tradições orais nas Ilhas dos Açores. In: Revista Atlântida. Angra do Heroísmo: Instituto Açoriano de Cultura. 1970, vol.14, n.º 4-5. P. 223-252.
    REV AÇORES A/83 PDP257

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Cantos populares do archipélago açoriano, de Teófilo Braga

No dia 29 de novembro, pelas 18h, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, será apresentada a Base de Dados Online: Registos Sonoros recolhidos por Joanne Purcell nos Açores entre 1969 e 1970. De seguida, Ângela de Almeida irá falar sobre Purcell e o Romanceiro. Posto isto, esta semana, até sexta-feira, poderão ler informações sobre livros que a Biblioteca possui relativamente à tradição oral açoriana, um tema que foi muito estudado por Joanne Purcell.

Hoje, esta publicação será sobre Cantos populares do archipélago açoriano, de Teófilo Braga.



Fotografia de Daniela Sampaio



Neste livro, o poeta micaelense encarregou-se de publicar e falar sobre o espólio recolhido pelo etnógrafo Dr.º João Teixeira Soares de Sousa, da ilha de São Jorge.

Na parte introdutória, Teófilo de Braga explica como dividiu o livro. A primeira parte é "atual, móvel, continuamente em elaboração, porque é um eco da vida, uma linguagem das paixões e dos sentimentos de hoje". Já a segunda parte "é tradicional, histórica, em desarmonia com os costumes presentes, mas repetida ainda religiosamente como lembrança de costumes e sucessos que já passaram". Resumindo, a primeira parte corresponde ao Cancioneiro e a segunda ao Romanceiro de Aravias. Quanto à segunda parte, o autor decidiu explicar o uso do termo aravias, que, no tempo de Teófilo Braga e do Dr.º João de Sousa, era usado em romances populares. É uma palavra que também mostrava "a origem árabe dos romances populares da Península".

Ainda na Introdução, o autor micaelense relembra que as "tradições cavalheirescas" foram para os Açores nos princípios do século XV graças aos colonos e que os romances eram considerados "propriedade do baixo povo". Acredita que os cantos das ilhas são os mais antigos da tradição popular portuguesa.



Frontispício de Cantos populares do archipélago açoriano. Fotografia de Daniela Sampaio.



Nas anotações existentes nas últimas páginas do livro, o político realça elementos comuns nas cantigas açorianas. Por exemplo,  dá para ver as rivalidades existentes entre as ilhas. No caso dos habitantes de Santa Maria, estes são mencionados como "cagarros". Também percebeu que a atividade vulcânica influenciou os cantos populares.


Para mostrar um pouco da riqueza de Cantos populares do archipélago açoriano, podem ler um romance cuja versão foi criada na ilha de São Jorge:



Fotografias e edição de Daniela Sampaio.



Neste contexto, a palavra "romance" não tem a ver com o género narrativo ficcional em prosa. Neste caso, é um género poético narrativo breve que, ao ser destinado ao canto, faz parte da tradição oral. 




Este livro não está para empréstimo. No entanto, poderá ser consultado na Sala de Leitura, sendo necessário, primeiro, pedir o livro no balcão de atendimento:

  • BRAGA, Teófilo- Cantos populares do archipélago açoriano. Porto: Typografia da Livraria Nacional. 1869. 478 p.
    AÇORES 3/588.






P.S- Para facilitar a leitura desta publicação, as frases retiradas do livro de Teófilo Braga encontram-se "atualizadas", não seguindo a grafia vigente no tempo do autor.


Fontes:

NUNES, J. M. de Sousa (2009, 27 de dezembro). Romance. Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/romance. Acedido a 25 de novembro de 2019.

Romanceiro tradicional. Disponível em: https://terramater.pt/romanceiro-tradicional/. Acedido a 25 de novembro de 2019.